Acompanhando o Mercado

Pode-se realmente investir no mercado de arte?

João Carlos Lopes dos Santos



De vez em quando, recebo consultas de pessoas ligadas a outras atividades, que querem se posicionar no mercado de arte, objetivando investir suas economias.

É possível investir em obras de arte? Sim, é possível, desde que você tome cuidados específicos e siga algumas regras.


Decorar ou investir?

Uma coisa é decorar, aleatoriamente, uma residência. Outra, bem diferente, é atender o mesmo objetivo, mas levando em conta, pelo menos, a possibilidade de recuperar o investimento, quando for necessário.

Para investir em obras de arte, não tendo experiência no mercado, haverá que se contratar um profissional capacitado, o qual tomará em seu nome uma série de precauções, tanto na aquisição como no acompanhamento da coleção – vale dizer, na substituição de obras do acervo por outras que tenham mais possibilidade de valorização.

Os grandes investidores do mercado de capitais, inclusive bancos, costumam materializar parte de suas reservas em obras de arte: quando a Bolsa de Valores vai bem, o mercado de arte vai melhor ainda... É o que se ouve, comumente. Tire suas conclusões.


Alternativas de mercado

Identificamos, basicamente, três intenções de quem pretende investir pesado em arte: abrir uma galeria, com ou sem organização paralela de leilão de arte; investir maciçamente na aquisição de obras de determinado artista plástico; ou associar-se a empresas para investir apenas em determinados eventos do mercado.


Abrindo uma galeria

É muito comum um empresário bem-sucedido em outras áreas, depois de um breve estágio como colecionador, manifestar intenção de abrir uma galeria ou uma casa de leilões de arte.

A pretensão é correta? Não, decerto que não é. Porque galeria de arte ou casa de leilões são atividades para quem é do ramo. Parece um negócio fácil, mas se trata de uma das atividades mais complexas que se conhece. Procure, por exemplo, saber o número de galerias e de casas de leilão de arte que abriram e fecharam nos últimos anos em todo o Brasil. Você constatará que sobraram apenas aquelas que são dirigidas por tradicionais profissionais do ramo, com grande período de maturação no mercado. Mesmo assim, algumas galerias importantes, dirigidas por profissionais competentes, acabaram fechando suas portas, atingidas pelas oscilações da economia do país.

Galerias e casas de leilão de arte são para profissionais experientes. Se você não se tem experiência no mercado, deve contratar um profissional do ramo, para que ele o assessore e lhe diga como tomar as devidas precauções ou até lhe dizer que não cristalize a ideia.


Investindo maciçamente num único artista

A segunda hipótese, também, na minha ótica, não é aconselhável. Por quê? Simplesmente porque, conforme o multimilenar provérbio chinês, ‘Não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta’. Entretanto, se o investimento for pulverizado nas obras de vários artistas, vai cair no que tratei mais acima, quando lhes falei da substituição de obras do acervo por outras que tenham mais possibilidade de valorização. Aí, é só tomar os cuidados preconizados.


Produzindo parcerias

Associar-se a empresas do ramo para participar de eventos do mercado de arte é, na minha ótica, a possibilidade mais viável. Há múltiplas formas de participar. Escolha a que lhe pareça mais benéfica para o mercado e para seus interesses como investidor.

As parcerias – sociedades episódicas de fato, que objetivam somar os identificadores positivos de cada um – para realização de um vernissage, uma exposição retrospectiva, um grande leilão, o lançamento de um livro de arte, aquisição de um lote de quadros e muitos outros, podem dar bons frutos financeiros.

Nem sempre as boas ideias, o conhecimento de causa, a disponibilidade de tempo e o talento na execução dos eventos são predicados de quem dispõe de capacidade financeira. Já vi muito dinheiro posto fora em projetos mirabolantes, verdadeiros castelos de areia; assim como, na mesma proporção, projetos brilhantes – com absolutas possibilidades de grandes lucros – malograrem por falta de financiamento. Cada caso sempre será único e deverá ser analisado de per si.

 

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