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Metais Aveludados

João Carlos Lopes dos Santos



Por definição, metal é o nome dado aos instrumentos musicais de sopro. Nos anos 1960, quando se tinha informações das principais bandas internacionais, apenas, por meio das capas dos LP’s, a juventude de então discutia a preferência entre as duas principais bandas do momento, a de Ray Conniff e a ‘Metais em Brasa’ de Henry Jerome. Maciçamente, a preferida era a de Conniff. À época, ouvi de uma amiga o que nunca esqueci:

_ O Ray Conniff consegue aveludar o som dos metais.

E não se sabia como ele conseguia aquele efeito aveludado dos metais...


Parada obrigatória

Aqui, a parada é obrigatória para assistir aos dois links que vêm a seguir:

Primeiro, assista ao teor do link https://www.youtube.com/watch?v=ztZCSFVeDII, e, depois, ao teor do link https://www.youtube.com/watch?v=tVEb2wbjet8.

Só muito mais tarde é que se percebeu que, embora muitos pensassem que se tratava de uma orquestra predominantemente de metais, o que se ouvia, na realidade, era uma banda com o oculto realce de um habilidoso coral. Obviamente que, depois que se sabe, fica fácil perceber. Observem que no primeiro link, o coral está eclipsado, lá atrás dos músicos; já no segundo, o coral está destacado em primeiro plano. É só essa a diferença...

Rei do easy listening

Ray Conniff (1916–2002) foi considerado o ‘rei do easy listening’, expressão inglesa que pode ser traduzida como ‘audição fácil’. Conforme está em https://pt.wikipedia.org/wiki/Ray_Conniff: seu estilo de associar vozes masculinas a trombones, trompas e saxofones baixo, e vozes femininas a pistons, clarinetes e saxofones altos, dava-lhe uma característica inusitada e só sua. Seu coral limitava-se a pronunciar sons como dá-as e du-du-dus e outras variantes, ao invés de palavras, o que imprimia um "colorido musical", intensificando os tons suaves e, ao mesmo tempo, abrandando os mais fortes’.

Coral, é lógico, sempre existiu em quase todas as bandas, mas Conniff foi personalíssimo ao usar com ineditismo o seu. Eis aí a grande sacada do líder de banda e arranjador Ray Conniff, que fez shows e vendeu mais de 70 milhões de discos em todo o mundo de 1956 a 2000, até porque o seu coral "cantava" em todos os idiomas. Em qualquer país que sua banda chegasse, além dos hits internacionalmente conhecidos, executava os mais momentosos sucessos locais, fosse onde fosse, na China, Noruega, Brasil ou qualquer outro país. Vem daí a explicação do seu sucesso nos cinco continentes. Assista a um dos exemplos, ‘É o Amor’: https://www.youtube.com/watch?v=4bdeyytywi0, de vez que ‘Aquarela do Brasil’ – https://www.youtube.com/watch?v=dTVN3tFZ3qI – fazia parte do repertório fixo de Conniff.

Sabe por que outras bandas não usavam e as atuais também não usam esse recurso? Porque fatalmente seriam rotuladas de “banda cover” e o ridículo seria inevitável. Afinal, analisando mais esse ‘Ovo de Colombo’ – expressão que se usa para argumentar que qualquer pessoa poderia realizar determinado feito –,  qualquer maestro poderia ter chegado primeiro àquela ideia. É mais um caso de quem chega primeiro à fonte bebe água limpa’.

Esse relato demonstra que insights, quando realmente inéditos e cristalizados, devem ser protegidos. É por isso que nas ilustrações gráficas, o insight é representado com o desenho de uma lâmpada acesa em cima da cabeça do personagem, indicando o momento de uma criação do espírito.

 

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